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Ilustração - Celia Calle


... a minha posição em relação ao novo Acordo Ortográfico, enquanto estudante que fui (e que continuo a ser) da Língua Portuguesa não sou contra só porque a maioria é contra e porque parece que está na moda ser-se contra, pelo contrário, procuro inteirar-me de todas as mudanças previstas e tento entender a razão que está por detrás de cada uma. Não posso, no entanto, concordar com todas elas, umas fazem sentido, outras nem por isso, mas continuo a achar que, no geral, o novo AO não é mau, nem desprestigia a História da Língua Portuguesa, mas no particular, precisa de uns acertos. Agora, o que eu realmente gostava era de ver os acérrimos opositores do novo AO a terem a mesma atitude contra o uso cada vez maior de estrangeirismos, com maior expressão no meio empresarial português. Os chefes da chafarica-mor têm uma especial adoração pela introdução de anglicismos nos seus discursos, tal Dâmasos Salcedes, é vê-los a encher a boca de "briefings", "forecastings", "brainstormings", "time lines", "dead lines", "outsourcings" e outras coisas terminadas em "ings" e "áines"... eh pá... isso não é "chic" a valer, isso é irritante a valer!!!!

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O Português que é riquíssimo tem palavras e expressões para tudo isso e um par de botas, qual é a necessidade?!?!

Era uma toalhing molhated nas trombations...

publicado às 07:25

Ora cá está uma fundamentação mais baseada nos aspetos linguísticos do que nos "patrióticos", sim senhor, PDR, gostei!
Vamos por partes, não duvido que tudo isto se tenha iniciado por interesses económicos, por cá as editoras encheram-se muito à custa de ter que reformular todos os manuais escolares, por exemplo! Tudo neste mundo tem um único motor para andar: dinheiro! Como alguém disse muito recentemente, é da vida!
Falas na questão da acentuação, que é precisamente aquela que eu mais critico, se a língua escrita reflete a falada, é natural que se devam manter assinaladas graficamente as vogais tónicas (quando é o caso) e também o seu tipo de abertura, no entanto, sempre existiram palavras que sendo homógrafas, não são homófonas e têm as sílabas tónicas na mesma posição, dou o exemplo que me saiu num exame de linguística: este (pronome demonstrativo) e este (substantivo = ponto cardeal), ambas são palavras graves quanto à acentuação, o que as destingue? Simplesmente o grau de abertura da vogal, e como se destinguem num texto escrito? Contexto! Mas há as que se tornam difíceis de distinguir pelo contexto, daí a necessidade do acento gráfico, exemplo: pára (verbo) e para (advérbio), são estas que me dão reservas...
A língua escrita reflete sempre a falada, mas isso não acontece ao contrário, a escrita surgiu muito depois da comunicação oral e ela surgiu da necessidade do Homem representar graficamente os sons que o seu aparelho fonológico produzia!

Quanto às diferentes "línguas" dentro do mesmo país que referes, não são línguas, são variantes regionais dentro da mesma língua, todo o ambiente histórico-social converge para as diferenciações que existem, quer sejam ao nível do sotaque (que apenas se verifica na oralidade), quer sejam ao nível do vocabulário, o português aí do Brasil tem enormes influências das línguas nativas que já existiam antes dos Descobrimentos, e foi através desta mistura que surgiu o português "açucarado" que falas, o mesmo acontece em todos os outros PALOP (exceto na Guiné Equatorial...)

O AO não uniformiza todo o português falado no mundo, é certo! Nem o podia fazer, teve que haver cedências de todos para se chegar a um consenso, por isso é que se chama "Acordo" ninguém impôs a ninguém uma forma única de escrever, não seria possível...

Bem... para concluir, procupa-me muito mais os anglicismos que estão cada vez mais presentes no português e com os quais não vejo ninguém minimamente preocupado, talvez porque seja "fashion", sei lá... e acho exagerada toda esta celeuma à volta de um Acordo que daqui a 20 anos já ninguém se lembra de quando e como aconteceu... se calhar, nessa altura já todos falamos inglês, ou pelo andar da carruagem, Mandarim...

publicado às 17:24

... apenas algumas linhas e uma palavra: Palhaçada! Como já devem ter reparado pela forma como escrevo, sou a ovelha ronhosa (e não ranhosa...) que salta fora do rebanho e aceita mais ou menos pacificamente a introdução do Novo Acordo Ortográfico! Sim, porque se formos contar os que estão contra e os que estão a favor consegue-se ver, da lua e a olho nu, que o rebanho maior é o do contra e infelizmente noto que muitas ovelhas desse rebanho nem sabem porque estão contra! Estão, porque agora é moda ser-se do contra... Conheço o essencial da nova forma de escrever, concordo com a maioria das alterações e tenho grandes reservas em relação às restantes, nomeadamente no que diz respeito à acentuação... mas nada na vida é perfeito e a imperfeição faz parte da vida (passo a redundância...), no entanto, julgo que nunca é tarde para voltar à discussão e emendar algumas gralhas evidentes, no fundo, o que falhou foi a linha lógica para algumas mudanças que claramente existe noutras.

Ensinaram-me na escola que as línguas são mutáveis, evoluem e são seus falantes que as moldam, por isso, aceito de bom grado que se devam ir, ao longo dos tempos, oficializando as mudanças naturalmente produzidas pela sua utilização, caso contrário, estaria neste momento a escrever-vos em Latim... ou como eu prefiro, usaria o português gil-vicentino... é que continuo a achar que phoda-se é muito mais poético...

Palhaçada porquê?! Porque vejo tanta gente a bramir contra o AO sem ter o mínimo conhecimento do mesmo, quando afirmam, por exemplo, que facto vai passar a escrever-se fato! Isso não é verdade, o "c" pronuncia-se na oralidade, logo não desaparece na escrita, a regra é claríssima: apenas caem as consoantes mudas, por isso em Portugal continuaremos a escrever facto, fato fica para o Brasil onde não pronunciam o "c"...

Ora vamos lá ver, não é o que está na origem do Acordo que está errado, é a forma como esse Acordo foi produzido, implementado e sobretudo explicado às pessoas, isso é que foi e continua a ser uma grande trapalhada... mas nada a que já não estejamos habituados neste país... porquê a indignação?!

Indigna-me muito mais ver a malta que escreve fodesse em vez de foda-se, arruinando por completo a ortografia da mais sublime forma de libertar tensões e tesões, a insurgir-se contra o Acordo!

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publicado às 09:34


Moi!

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