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Ilustração - Celia Calle


... têm a dizer sobre a bolonhesa em que está transformada a questão das licenciaturas pós e pré Bolonha? Tenho lido várias discussões nas caixas de comentários da notícia que dá conta de que o governo resolveu voltar atrás na medida que havia anunciado há cerca de 6 meses, medida essa que pretendia equipar as licenciaturas antes de Bolonha aos atuais mestrados, para efeitos de concursos e reclassificações. Só vos digo uma coisa, nunca vi tanta virgem ofendida, a malta que acabou os estudos académicos dentro de Bolonha parece que está com medo que o mundo acabe, caso sejam comparados com quem os terminou antes da reforma. Pois eu acho que é doutorice a mais para este país, depois falta quem faça efetivamente o trabalho. A mim já me disseram, mais do que uma pessoa, que me fica mal andar a carregar com as caixas do arquivo porque sou licenciada... claro que eu estou-me licenciadamente a cagar para isso.

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publicado às 07:46


16 comentários

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De Nuno a 27.09.2018 às 08:01

O problema é exactamente é-se banalizou-se o canudo. Sou apologista que a educação é direito de todos mas ndo pela via do baixar a exigência para que todos lá cheguem que é o que tem acontecido. Até porque se formos todos doutores quem é que varre ruas recolhe o lixo trata dos idosos e crianças passa as nossas compras na caixa do supermercado etc?
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De Quarentona a 27.09.2018 às 23:11

Também é isso, mas é sobretudo este endeusamento das pessoas com estudos, coisa já muito antiga e enraizada, que torna este país tão poucachinho.
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De Nuno a 27.09.2018 às 23:18

Eu próprio adorava ter mais estudos mas infelizmente não posso dedicar-me. Ainda assim mesmo que os estivesse nso vidraria a cara a luta
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De Quarentona a 27.09.2018 às 23:37

Claro! Não cai os bracinhos a ninguém por meter a mão na massa :))))
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De Mário Pereira a 27.09.2018 às 08:51

Olha, eu tenho uma opinião...
Acho inacreditável dizerem que um licenciado pós-Bolonha, que andou três anos na escola, tenha exactamente os mesmos direitos que um licenciado pré-Bolonha, que andou, no mínino, 4 anos a estudar (no caso do meu curso eram 5, mesmo). Com isso, não estou a dizer que têm que me dar a equivalência a Mestrado imediatamente. Mas não me obriguem é a repetir matéria, em Mestrados de treta, só porque as crianças de 20 anos estão com dificuldadezinhas em arranjar emprego porque não sabem um chavo.
Quando terminei a minha licenciatura, comecei a trabalhar. A seguir aos primeiros licenciados de Bolonha, abriram Mestrado para a minha área na minha Alma Mater e eu inscrevi-me. O Mestrado era virado para a malta pré-bolonha, mas era (também...) em horário pós-laboral. Quando olhei para o currículum, desatei-me a rir. Era exactamente a matéria que tinha dado no último ano da faculdade, há cerca de três anos. Fui perguntar se havia equivalências na parte escolar apenas, uma vez que... prontos... era matéria já dada... e disseram-me que não. E que havia frequência obrigatória, pelo que nada de faltar. E testes intermédios em datas a decidir pelos professores que não contavam para a avaliação contínua mas que obrigavam a exame em caso de falta. E apresentações por cada ponto da matéria (havia disciplinas em que eram mais de 30...). Perguntei, nesse caso, o que andavam os professores a fazer lá? Pois, fiquei sem resposta!
Como deves calcular, o Mestrado não foi até ao fim... A malta trabalhava todos os dias das 7:30 às 18h, não podia estar a ter aulas às 18:30 (e a pagar parquímetro) até às 23, três vezes por semana (sim, 4:30 de aulas vezes três dias), e ter que fazer, no total, quase 200 apresentações extra-aulas, para terminar um Mestrado em que estava a dar a mesma matéria outra vez.
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De Quarentona a 27.09.2018 às 23:27

A minha licenciatura foi de 4 anos mais um de estágio, não fiz o estágio porque descobri a tempo que não queria ir dar aulas. Mas fiz, já a trabalhar, um curso de especialização em Ciências Documentais na mesma faculdade. Esse curso teve a duração de dois anos, com aulas de 2ª a 4ª das 8 da manhã às 8 da noite, só licenciados podiam frequentar. Vi-me e desejei-me para o fazer, não foi fácil conciliar esse horário com meu trabalho, tive a sorte de na altura ter tido uma chefe compreensiva que sabendo que aquela especialização era uma boa forma de eu progredir na carreira, facilitou-me a vida, no entanto, os 2 anos passaram a 3. Isto para dizer que tenho 6 anos de estudos superiores e sou uma mera licenciada. Não ligo porra nenhuma aos títulos académicos, uso a minha formação para desempenhar o meu trabalho de forma a melhor servir a comunidade, mas também não vou ser hipócrita e dizer que não gostaria de ser melhor remunerada, pelo que, se a minha promoção depender de ter mestrado ou não, acho que já queimei pestanas suficientes para o merecer, para além de toda a experiência profissional que já tenho.
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De Cidália Ferreira a 27.09.2018 às 10:45

Loool pois claro!

Coisas de uma Vida (http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/)
Beijos e um excelente dia!
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De Quarentona a 27.09.2018 às 23:29

Beijinhos, Cidália :))))
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De Happy a 27.09.2018 às 10:49

Isso mostra bem que somos O país dos dótores!
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De Quarentona a 27.09.2018 às 23:30

Sempre fomos, somos um país de parolos, é o que é.
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De Anónimo a 27.09.2018 às 12:11

Pois a mim a situação de maior doutorice aguda deu-se aqui há anos quando trabalhava numa fábrica que distava a uns bons 25Km de casa. Ao fim do dia vinha sempre de boleia com um trabalhador dessa fábrica. Um dia, o diretor geral da dita chamou-me ao gabinete a dizer que parecia mal uma "doutora" andar de boleia com um simples operário, rematando com um "veja lá isso, sim? não quero ter que a chamar de novo à atenção"!

Dulce/Porto
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De Quarentona a 27.09.2018 às 23:32

Olha que realmente, eu até estou parva com esse teu diretor... demonstra a pequenez de espírito dessa pessoa, incrível!
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De Gaffe a 27.09.2018 às 13:35

Onde comprou ela as lágrimas?
Fazem-me falta.
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De Quarentona a 27.09.2018 às 23:33

Ahahahahahah :D
Qualquer fotoshop manhoso faz-te isso :D
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De Pequeno caso sério a 27.09.2018 às 23:59

Gosto de bolonhesa mas prefiro piza.


A licenciatura (pré ~histórica, by the way) foi fundamental na minha área MAS não foi o canudo que fez de mim uma pessoa diferente nem me deu as ferramentas necessárias para lidar com situações de stress e improviso.Isso veio com o tempo, com a vida.

Percebo o que dizes quando referes que há doutourice a mais mas olha que também há o reverso da medalha. Gente que constantemente usa essa expressão com um valor pejorativo como se um curso fosse uma coisa fácil de se fazer. A dor de cotovelo no seu expoente máximo de quem nunca soube o que foi sacrificar muitas horas a queimar pestanas e se indigna com algumas regalias(?) que se possa ter.

A mim o que me indigna verdadeiramente é a capacidade destes governantes filhos da puta que voltam atrás nas decisões assumidas sem sofrerem qualquer consequência. Isso sim, mexe-me com os nervos muitíssimo mais do que saber que alguém com um com um curso tirado há seis meses tenha a ingenuidade de acreditar que é mesmo mais merecedor de um mestrado do que uma pessoa que fez tudo o que era exigido na altura e acumula décadas de experiência .


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De Quarentona a 28.09.2018 às 00:36

Obviamente que não tiro o mérito a quem estudou, "been there, done that", sei bem o que custa. A questão é que quem tira um curso é levado a acreditar que a partir dali é merecedor por si só de um cargo de responsabilidade e chorudamente pago, ou seja, recusam-se a começar por baixo, claro que isto não se aplica a toda a gente, mas há muito licenciado e mestre que acha que o grau académico acabado de conseguir é suficiente para lhes abrir as portas de uma carreira milionária onde só têm que dar ordens a quem não quis ou não teve hipótese de estudar.
Quanto ao recuo do governo, não tenho dúvidas que houve alguém que se lembrou de alertar para os mestres antes de Bolonha, esses seriam equiparados a quê? A doutorados? E os que fizeram doutoramento? É uma questão complexa e eu acho que o governo precipitou-se há 6 meses, não deviam ter avançado com a proposta sem terem analisado estas questões previamente.
No entanto, mais do que criticar o (des) governo, critico essa atitude mais ou menos generalizada de valorizar mais a formação académica do que a experiência profissional, porque tal como disseste, aprende-se muito mais com a prática do que em qualquer universidade.

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