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Ilustração - Celia Calle


Ando...

09.10.18

... práqui mais enjoada que uma grávida. Fui na sexta-feira passada, como vem sendo habitual, picar o ponto às noites da latada. Não pensem vocês que o faço apenas e só num acesso de revivalismo para me sentir mais jovem do que sou, nada disso, quando lá vou, vou com o propósito de ver a atuação de algum artista que me interessa deveras ver, desta vez fui ver o originalíssimo Conan Osíris, do qual sou fãzérrima. Claro que o saudosismo também me dá um empurrãozinho, mas não tenho quaisquer ilusões, uma vez que já nada me sabe ao que sabia. Bom, lá fui ver então o genial rapaz acompanhada do Gajo e de mais um amigo e quando estes me estendem o belo do copo de cerveja, tento declinar alegando que não queria ficar com vontade de fazer xixi de modo a evitar entrar naqueles WC que me enchem de nojeira, longe de imaginar que já estaria a prever um dos episódios mais repugnantes da minha vida. Ora, a carne é fraca e a sede é fodida, pelo que a seguir a esse copo vieram mais uns quantos que entretanto deixei de contar, atrás deles veio a tão temida vontade de mudar a água às azeitonas e lá fui eu, munida de lenços de papel suficientes para fazer uma prévia limpeza às bordas da latrina e a devida higienização do pipi após o chamamento da natureza. Aquela porra (entenda-se WC) tinha um género de prateleira, onde achei que ficaria mais seguro o meu telemóvel que trazia no bolso de trás das calças para que estivesse sempre a postos para os meus registos audio-visuais do evento, e eis que quando estou a baixar as calcinhas para me aliviar ouço um "poc" seguido de um "splash"... gelei e olhei a medo para a prateleira... aquele que lá tinha deixado, não estava mais... olhei para o chão e nada, olhei para todo lado até me convencer que o único sítio onde poderia estar era... nesse mesmo, no fundo da latrina imunda... meus queridos, não perguntem como fui capaz mas, após longos minutos de hesitação, arregacei a manga do casaco, tirei os anéis e relógio e enfiei a minha rica mãozinha, coitadinha, que ainda sinto vontade de amputá-la, naquela imundície que nem quero pensar no que continha. Pesquei o malogrado telemóvel e saí mais agoniada que um pastor serrano em alto mar, obriguei o Gajo e o nosso amigo a despejar cerveja nas minhas mãos numa tentativa de me livrar daquela sensação de nojo que me invadiu e que persiste em não me abandonar apesar de todos os banhos, esfreganços e desinfeções que já me apliquei desde aí, acreditem que a minha vontade é de me enfiar debaixo do chuveiro de dez em dez minutos, tudo isto para ficar sem o catano do telemóvel que entretanto morreu para o mundo... mais valia tê-lo lá deixado.

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publicado às 08:00


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