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Ilustração - Celia Calle


Tenho um...

08.06.17

... grupo de amigos que fiz na altura da pós-graduação, não tenho a certeza mas acho que já falei dele aqui, nesse grupo há uma pessoa que é capaz de ser das mais estranhas com quem me relaciono. Ela é boa pessoa, sempre solícita, é capaz de despir a camisola para a dar a quem precise, mas não sinto qualquer afinidade com ela, tolero-a e nunca me relacionaria com ela se não fizesse parte do grupo. Não há nada que me cative nela, pelo contrário, tantas vezes me apetece mandá-la pastar, só não o faço por consideração à harmonia do grupo. E perguntam vocês, mas ela é estranha porquê? Imaginem lá uma pré-adolescente, já está? Agora imaginem uma pré-adolescente com, se não os tiver já, quase 40 anos! Solteira, ainda vive com os pais, não usa outro calçado que não sejam sapatilhas (ténis, para a malta de Lisboa e arredores), não come nada que seja verde, só a sopa que a mãe obriga a comer, tem carta de condução, mas não se atreve a conduzir fora da sua cidade, os pais têm que levar a menina aonde a menina quer ir, tem verdadeira obsessão pelo universo Disney, chocolate, Coca-Cola e MacDonalds, e acima de tudo é conflituosa, inconveniente e desbocada. Já perdi a conta às vezes em que falo em alhos, ela responde com bugalhos e há quem se dê ao trabalho de tentar explicar-lhe as coisas, mas ela mimada como é, defende o indefensável até à exaustão do interlocutor. Eu já não tenho pachorra e então calo-me a maior parte das vezes, ou digo que sim senhora, tem toda a razão no que diz, só para não a ouvir mais.

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Mas não é só com ela, regra geral não tenho paciência para conversas da treta!

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publicado às 07:42

... que lamento imenso na minha pessoa é a minha total inabilidade para desenho e tudo o que sejam artes gráficas. Não consigo, nem nunca consegui, desenhar uma linha reta direita, nem com a ajuda de uma régua, então se for desenho livre... bom, já vi desenhos de crianças de infantário muito mais perfeitos do que o melhor desenho que alguma vez fui capaz de produzir. De maneiras que sou grande admiradora de quem consegue desenhar com a mesma facilidade com que respira e adoro a criatividade inerente a essas pessoas. Todos os anos, a comissão da Queima das Fitas de Coimbra convida todos os que queiram participar a apresentar uma maquete para o Concurso do Cartaz Oficial da Queima das Fitas, cujo o regulamento obriga a que nele constem as cores das faculdades (amarelo para Medicina, vermelho para Direito, azul claro e branco para Ciências e Tecnologias, azul escuro para Letras, roxo para Farmácia, vermelho e branco para Economia, laranja para Psicologia, castanho e branco para Desporto) e todos os motivos alusivos à Universidade de Coimbra e à sua Praxe Académica (a Torre da Universidade (carinhosamente chamada Cabra), o penico, a moca sem saliências, a tesoura de pontas redondas e a colher de pau da praxe) que deverão estar presentes de forma devidamente visível e integrada no desenho, deverá também representar o lema escolhido para a Queima desse ano. Lembro-me quando estudava que o dia da divulgação do cartaz vencedor era sempre muito empolgante, pois o mesmo para além servir para anunciar a maior festa académica do país, era também adquirido em formato "cromo de caderneta" (selo) para ser colado na parte interior da pasta académica, assinalando assim os anos de matrícula na universidade para memória futura. Eu tenho seis selos colados na minha velhinha pasta (sim, cabulei um bocadinho) uns mais giros que outros, e este ano, ao ver o cartaz vencedor, tive pena de não estar matriculada só para poder incluí-lo na minha pequena coleção.

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"Uma balada com saudade, um até já a esta cidade".

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publicado às 07:36

Foi nos...

16.01.17

... últimos anos na faculdade, já na pós-graduação, que fiz amizades maravilhosas para a vida. Somos a "Magnífica Seleção", um grupo de 10 que, juntamente com os respectivos cônjuges e filhos, se reúne em "terapia de grupo" 2 a 3 vezes por ano, para comer, beber, partilhar experiências, desabafar problemas e frustações e sobretudo para gargalhar, muito! E como essa amizade deve ser renovada a cada nascimento, fomos conhecer o caçulinha da MS e brindou-se à vida. Há dias que valem tanto a pena viver, dias plenos, dias felizes :))))

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publicado às 07:22

... aquela que é a maior festa de Coimbra e talvez a maior festa académica do país. E faz 23 anos que tracei a capa negra pela primeira vez, não tenho palavras para descrever a sensação que é participar, pela primeira vez, naquele evento, de estar ali naquela multidão em silêncio, gente de todo o país que magicamente se imbuiu do espírito académico coimbrão, imóveis, tão só a sentir e a acompanhar com o coração a Balada de Coimbra...

... assistir à primeira serenata monumental enquanto estudante, é talvez a recordação mais emocionante que guardo de todo o meu percurso académico... aaaaaahhhh... saudade!

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publicado às 07:44

Eu já...

20.11.15

... estive mais de um ano sem dirigir palavra a um colega de faculdade, do qual fui grande amiga, durante o curso!

Apesar de ser dona de uma personalidade forte, não sou daquele tipo de pessoa que por ter essa característica acha que pode disparar tudo o que lhe passa pela cabeça, doa a quem doer. Sou mais de evitar conflitos e quantas vezes fecho a minha matraca só para não me chatear com A ou B ou quando me magoo com algo ou alguém sou do tipo "incha, desincha e passa", inclusivamente, já várias pessoas me disseram que tenho perfil diplomático e que daria uma excelente Ministra dos Negócios Estrangeiros (acho que vou mandar currículo para S. Bento...).

Frequentava a minha licenciatura e tinha especial adoração por um colega de curso, mas nada de paixonetas, ele também tinha uma personalidade que me cativava deveras: inteligente, culto, sarcástico, partilhávamos os mesmos gostos e interesses, humor muito semelhante ao meu, riamos e fazíamos rir a bandeiras despregadas, bastava uma troca de olhares para percebermos imediatamente o que se passava na cabeça um do outro, enfim, uma relação de amizade perfeita!

Numa noite de copos, discordámos numa treta qualquer sem jeito nenhum, começámos a esgrimir argumentos e dali até desatarmos aos berros um com o outro foi uma questão de minutos. Nenhum de nós cedia, entrámos numa de medir forças e assim deixámos de nos falar. O que é caricato nesta situação? É que apesar de não trocarmos palavra, tinhamos exatamente as mesmas rotinas, sempre dentro do grupo de amigos, estudávamos juntos, íamos almoçar juntos, às vezes calhava sentarmo-nos lado a lado na sala de aula, jogávamos à sueca no bar da faculdade (não como equipa mas um contra o outro), saíamos à noite para os mesmos sítios, enfim, tudo igual ao que fazíamos antes da zanga só que ignoravamo-nos mutuamente, como se fossemos invisíveis! Houve até um episódio durante uma noite da Queima das Fitas, em que já muito bem bebidos, eu fazia as minhas palhaçadas habituais e ele agarrado à barriga de tanto rir... enfim, infantilidades...

Passado pouco mais de um ano, enterrámos o machado de guerra. Foi no meu aniversário, combinei com o grupo sair para os copos, contudo obviamente não convidei a criatura. No entanto, ele apareceu no bar onde estávamos com um ramo de flores e, sem pedir desculpas, apenas me desejou um feliz aniversário, beijando-me... pronto, atirei-me para os seus braços e num abraço apertado disse-lhe que também tinha imensas saudades dele, num instante o resto da malta juntou-se ao abraço, e isso... isso foi lindo de se ver!

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publicado às 09:31

... não se ganha apenas conhecimento, julgo até que isso é o que menos nos enriquece. Mais do que as habilitações académicas que nos deveriam preparar para a vida, são as amizades que se ganham por lá que nos ajudam a passar pela vida, proporcionando-nos grandes momentos de pura felicidade. Só pelo simples facto de estarmos todos juntos, partilhando palhaçadas, gargalhadas, brindes, cumplicidades, amizade, boa comida e melhor bebida, já valeu a pena passar pela faculdade!

 

Obrigada, Magnífica Seleção, foi um dia muito bem passado :))))

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publicado às 09:23

... faz hoje no seu artigo de opinião semanal, na revista Sábado, uma referência a uma mulher que eu tive o prazer e o orgulho de conhecer: Maria Helena da Rocha Pereira. Conheci-a no meu ano de caloira, no maior anfiteatro da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, mulher franzina, curvada pelo peso da idade, falava ao microfone, pois sua voz já não lhe permitia dar justiça à sua imensa sabedoria. Pela sua mão conheci os grandes clássicos da Humanidade, a Odisseia e a Ilíada de Homero, a Eneida de Virgílio, Medeia de Ovídio entre tantos vultos da Cultura Clássica. Temida pelo seu "mau feitio", raramente esboçava um sorriso consequência de um amor frustrado com Miguel Torga (diziam as más línguas)! Esta mulher sempre me fascinou e hoje, vê-la na revista que fielmente trago para casa todas as semanas, mesmo que seja num artigo do Pacheco, fez-me sorrir.

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publicado às 23:10


Moi!

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