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Ilustração - Celia Calle


O que retive...

25.08.17

... dos dias em que o céu se abateu sobre a minha cabeça: o grito de dor da minha mãe a dar-me conta da morte do meu pai, os olhos marejados de todos os membros da equipa do INEM, a imagem do meu pai prostrado na terra coberto com um plástico azul, a aldeã que não parava de lamentar a batateira linda sobre a qual o meu pai havia caído, as horas infinitas à espera da autorização do delegado de saúde para libertar o corpo, o esgar dorido na cara do GNR quando lhe perguntei em prantos o que faria se fosse o pai dele a estar ali, os braços inertes do meu pai quando finalmente o removeram do chão, a coragem do meu marido ao tomar as rédeas das exéquias, ele que, desde a morte da sua mãe, sempre evitou este tipo de "eventos", a capela minúscula onde o meu pai foi velado, o mar de flores que praticamente soterrou o caixão, os abraços... meu Deus... os abraços cheios de emoção e tão reconfortantes, a multidão imensa que invadiu o cemitério... e o que me disse uma prima de longe, "dizem que os verdadeiros amigos se veem nestas alturas mais difíceis, mas a verdade é que é nas alegrias que tu realmente sabes quem são, porque nunca há tempo, disponibilidade e muita vontade para celebrar a amizade, uma vez que a temos por garantida, no entanto, quando morres aparecem todos. Mais do que nos funerais, é nas festas que vês quem verdadeiramente gosta de te ter por perto"...

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publicado às 08:07


25 comentários

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De A Desconhecida a 25.08.2017 às 08:49

... Força, beijinho!
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De Quarentona a 28.08.2017 às 22:21

Obrigada, beijinhos
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De Pequeno caso sério a 25.08.2017 às 10:37

Foda -se ...que a vida às vezes consegue mesmo deitar - nos ao chão.
Li com muita atenção o que escreveste e parece que estive ali, ao pé de ti...arrepiei - me.
É bom saber que quem lida com a morte AINDA não ficou indiferente.
Nem quero imaginar o que passaste e ainda estás a passar.
Retiveste, no meio da rua dor, detalhes minuciosos que muito provavelmente te darão muito que pensar durante os próximos meses/anos.
Eu, que estou de fora, retive o comentário da tua prima e por isso mesmo cá estou. Porque acredito mesmo que a amizade (seja ela real ou virtual) se celebra em TODOS os momentos.
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De Quarentona a 28.08.2017 às 22:31

É verdade, foram três dias muito pesados, muito marcantes, estas "cenas" repetem-se na minha mente tantas e tantas vezes...
Obrigada pelo teu carinho, beijinhos
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De Maria Araújo a 25.08.2017 às 12:20

Assustou-me, quando comecei a ler o post.
Mas o final é a pura verdade daquilo que são os amigos.
Vivamos a vida com eles na alegria de um bom jantar, de uma boa conversa, porque na morte não estamos cá para ver.
É por tudo isto que evito funerais e/ou se vou, sou discreta.
Não vou para que me vejam.
Dispenso isso.
Bom fim-de-semana.
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De Quarentona a 28.08.2017 às 22:31

Beijinhos, Maria
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De Genny a 25.08.2017 às 12:24

Das várias coisas que não vou esquecer do sofrimento e posterior falecimento da minha mãe, há duas que me marcaram mais - o pedido de ajuda dela, nos últimos dias de vida e o corpo tão frio...
E está a custar tanto, meu Deus!
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De Quarentona a 28.08.2017 às 22:32

Acredito, minha querida, um abraço apertado, Genny
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De Cidália Ferreira a 25.08.2017 às 16:38

E é nestes momentos que me faltam as palavras! Porque já passei precisamente por tudo como tu passaste. (parece um sonho de terror) na verdade é, mas real.

Não tenho palavras que te possam confortar. Apenas te desejo muita força e coragem para enfrentar a realidade da falta.

Um abraço apertado de solidariedade
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De Quarentona a 28.08.2017 às 22:33

Obrigada, querida Cidália
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De pimentaeouro a 28.08.2017 às 21:57

As ninhas condolências.
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De Quarentona a 28.08.2017 às 22:33

Obrigada, João
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De Francisco o Pensador a 28.08.2017 às 22:35

As palavras da sua prima estavam carregadas de puro bom senso. Espero que consiga ultrapassar a dor da sua perda e que possa celebrar a amizade com as pessoas que são verdadeiramente importantes na sua vida.
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De Quarentona a 28.08.2017 às 22:53

Claro que sim, Francisco. Sempre foi assim comigo e continuará a ser, só preciso de tempo para me levantar do tapete, o golpe que me foi desferido foi forte.
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De Cidália Ferreira a 02.09.2017 às 10:48

Catarina, sinto a tua falta.
Desejo que esteja tudo bem contigo, e com a tua Mãe... dentro dos possíveis.

Beijo e um sábado feliz
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De Quarentona a 02.09.2017 às 19:05

Obrigada, querida Cidália, está tudo bem connosco. Beijinho grande.
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De Goti a 04.09.2017 às 17:25

Oh, minha querida. Tanto que há para dizer, mas deixo[te] um colo embrulhado num abraço muito apertado de alguém que sabe o que é essa dor.
Coragem Amiga, muita Tu tens!
E agora é cuidar de quem fica, a tua mãe.
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De Quarentona a 04.09.2017 às 22:03

Obrigada, querida Goti. Infelizmente, são tantos que sabem o quanto dói, o quanto custa. Ao mesmo tempo, dão-me a certeza que os dias bons voltarão e não faltará apoio e carinho à minha mãe. Beijo grande :)
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De M.J. a 04.09.2017 às 22:48

lamento.
muito.
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De Quarentona a 04.09.2017 às 23:04

Eu sei que sim, minha querida Émejota.

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