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Ilustração - Celia Calle


Esta merda de...

26.09.16

... educar uma criança tem muito que se lhe diga. Na sexta-feira recebi um telefonema do puto que já anda no 5º ano e, galo do caraças, já tem que ter um telemóvel (ir para a escola dos grandes sem telemóvel é o mesmo que ir nu, lutei sempre contra dar-lhe o catano do telemóvel, mas fui engolida pela pressão tanto do puto como da restante sociedade, quem é que quer ver um filho a ser ostracizado pelos restantes putos por não ter um telemóvel?), dizia eu que atendi a chamada e do outro lado a voz aflita acelerou o meu coração, quase a chorar "mãe, tive falta a Inglês por não trazer o material e por não fazer o TPC, por favor não te zangues..." e desata num pranto... "por favor não te zangues..." O meu filho ligou porque estava em pânico pela possibilidade de eu me zangar... as lágrimas assomaram de imediato aos meus olhos e a única coisa que consegui balbuciar foi "calma, filho, não há problema, logo falamos sobre isso e eu prometo que não me zango". O Gajo diz que é da forma como falo com ele, que lhe meto medo e que o ameaço caso falhe. O meu pai sempre foi muito rígido comigo nas questões escolares e tinha razão para o fazer, pois sempre fui demasiadamente descontraída com a escola, lembro-me que morria de medo de falhar e poucas vezes falhei, não por ter a consciência que seria o melhor para mim, mas por medo... e é isto que estou a passar para o meu filho. Tudo aquilo que critiquei no meu pai, eu estou a fazer igual. Sou completamente aversa à permissividade, tenho a firme convicção que as crianças têm que ter regras, mais, precisam de regras, mas há uma linha muito ténue que separa a disciplina e a introdução da responsabilização da ditadura e eu, claramente, não consigo deixar de ultrapassar essa linha.

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publicado às 07:38


24 comentários

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De erreguê a 26.09.2016 às 07:54

Penso que pior que educar um filho com regras bem definidas, é não educar. Os pais devem ser sempre pais e amigos dos filhos, mas nunca devem ser os melhores amigos dos filhos, porque para isso acontecer todos sabemos quais os critérios que eles mais gostam : deixar fazer tudo o que querem, terem tudo o que querem, da forma como querem, sem regras e acima de tudo sem grandes consequências.
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De Quarentona a 26.09.2016 às 21:28

Esse mundo sem regras também é tão atrativo no meio dos adultos, quanto mais das crianças?
Obrigada :))))
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De Cidália Ferreira a 26.09.2016 às 09:51

Olha amiga; Identifiquei-me totalmente contigo. E queres que seja sincera? Não deixes de ser assim, embora te custe, abranda apenas um pouco. No quinto ano é o começo das preocupações. Eu tive 2. Uma e um. O Meu filho deu-me água pela barba. No entanto, existiam bem piores. Se não fores um pouco dura agora, vais sofrer quando ele tiver os 14/15/16 etc...pensa. Claro, não é preciso uma ditadura, mas as regras, como tu sabes, são essenciais. Darmos-lhe tudo não os beneficia porque depois não dão valor a nada.
É normal que agora precise do telemóvel, mas ai tu podes controlar o tarifário. Agora é assim, nada a fazer.
Mas amiga, penas que estás a ser correta, em ter pulso firme. Um dia ele te agradece.

Não sou ninguém para te dar conselhos. Mas gostei de ler-te.

Beijo e uma excelente semana
http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/
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De Quarentona a 26.09.2016 às 21:45

Claro que és alguém, quanto mais não seja és mãe, duplamente :)))
Eu tenho a teoria toda, pô-la em prática é que é do catano :P
Beijinhos, Cidália :))))
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De Ladys a 26.09.2016 às 11:17

Por vezes temos de dar mais corda e outras puxar um bocadinho... quando o fazer?? era tão bom que houvesse um manual. Vamos ajustando e aprendendo com os erros. Bjs, Marina
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De Quarentona a 26.09.2016 às 21:49

É precisamente esse meio termo que é tão difícil de conseguir, mas com muita paciência lá se chegará :))))
Beijinhos, Marina :))))
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De FS a 26.09.2016 às 11:47

know the feeling... É uma porra duma linha tão ténue, essa...
E ela tem de existir... mas o mundo não precisa "de acabar" quando uma das partes a atravessa... sejas tu ou o puto!
(mas é verdade, temos tendência para fazer igual aos nossos pais... mesmo que digamos que não) :)
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De Quarentona a 26.09.2016 às 21:52

Catano dos genes! Quantas vezes dou comigo a pensar que estou a ficar igualzinha à minha mãe ou ao meu pai?
Não, o mundo não acaba, mas que é uma provação, lá isso é.
Obrigada :))))
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De Mula a 26.09.2016 às 12:37

Mas não estás errada. Pelo menos das minhas perspetiva não estás.
Acho que ser permissivo dá-lhes a sensação de que podem fazer toda a merda que está sempre tudo bem. Falo-te enquanto educadora, não enquanto mãe claro.

Há que saber compreender estas situações excecionais, quando eles erram e sabem admitir, apenas dando-lhe uma achega para que sejam efetivamente excecionais e não se tornem regra.

A escola como é, é horrível, não permite nenhuma liberdade aos alunos, atulham os alunos de trabalhos, não lhes deixam tempo para descansar e .. fazer nada e isso é tão preciso, e por isso é fácil não se gostar da escola, não se gostar de estudar e é fácil de se andar relaxado de os pais assim permitirem. Por isso, e porque é para bem deles, há que fazer um bocadinho de pressão - com peso e medida claro - para que lhes seja incutida a responsabilidade de ter de se fazer coisas que nem sempre queremos e/ou gostamos.

Mas olha digo-te uma coisa, tens aí um grande filho, eu na idade dele, quando errava - e porque a minha mãe era igualmente exigente comigo - tinha feito o pino se fosse possível para que nunca viesses a saber disso, por isso quer dizer que és exigente mas que dentro da exigência permites que exista comunicação, que exista essa intimidade e à vontade e isso é mais importante que tudo!
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De Quarentona a 26.09.2016 às 21:57

A permissividade é tão mais fácil, não é? Mas eu não consigo ser permissiva, aliás, o pai é mais do que eu e alguém tem que equilibrar, tem que ser aqui a bruxa :P
Por acaso, tenho sorte com o puto, ele desbronca-se todo, eu era como tu, fazia tudo para que o meu pai não descobrisse a asneira :P
Obrigada, Mulinha :)))))
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De HD a 26.09.2016 às 19:00

Estou perfeitamente de acordo!
Uma educação firme e regrada não tem nada de ditadura!!!
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De Quarentona a 26.09.2016 às 22:00

É este coração de manteiga que, às vezes, acha que estou a ser dura demais, porque a cabeça acha que é bem pelo contrário :))))
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De HD a 26.09.2016 às 22:51

Mas a educação deve ouvir mais a cabeça e menos o coração :)
A razão educa melhor que o coração ;)
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De Quarentona a 26.09.2016 às 23:01

Exato! Todos sabemos isso, mas não é nada fácil, aliás, o raio do coração atrapalha mais do que ajuda e não é só na educação :))))
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De Pequeno caso sério a 26.09.2016 às 20:09

Esta porra do raio dos catraios não trazerem livro de instruções é do caraças!
Ao contrário do que pensas, os miúdos gostam de regras.Já te perguntaste de qual professor guardas a imagem da competência? Do porreiraço ou do exigente? Exato.
E já te perguntaste porque passas ao teu filho o modelo que tiveste ?
Exato outra vez.
As crianças precisam de regras, de assertividade e de se sentirem seguras. Não vão ter com toda a certeza isso com pais brandos.
O que tu achas ser medo eu acho que é respeito. Não te culpes. Estás a ir no caminho certo.
Metade das notícias que envolvem adolescentes e que passam nos telejornais não acontecia se os pais tivessem mão firme.
Digo eu que tenho uma filha com 14 anos e a ultima vez que lhe cheguei roupa ao pêlo , ainda usava fralda. E também não trouxe livro de instruções. Se faço tudo bem? Claro que não. Sou humana. Mas também sou (e gosto muito de ser) mãe.
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De Quarentona a 26.09.2016 às 22:05

E se trouxessem manual de instruções, seria muito pior que qualquer manual do IKEA :P
É isso tudo, ele hoje pode achar que estou a ser uma besta, mas tenho a certeza que amanhã vai-me agradecer :)))
Custa dar-lhe o castigo, custa vê-lo revoltado, mas como uma cunhada minha diz, prefiro que seja ele a chorar hoje, do que eu amanhã ;))))
Obrigada :))))
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De Pequeno caso sério a 26.09.2016 às 23:13

Deixa-o achar o que ele quiser. Faz parte.
Tu também já achaste dos teus pais e hoje, com toda a certeza, compreendes algumas das atitudes que tomaram na altura.
Com os miúdos tem de ser assim: se fores a "estaca" eles crescem direitos . Sem estaca crescem por onde tiverem espaço. Mantêm-te firme. Um não , tem de ser SEMPRE, um não.
Dá trabalho? Dá.
Doi? Muito.
Mas é como diz a tua cunhada: mais vale chorar ele agora que tu depois.
;)

P.S- se o livro de instruções dos putos fosse igual aos moveis do IKEA estávamos bem fo#$%@s .
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De Quarentona a 26.09.2016 às 23:17

Claro :)))
Ahahahahahah :D Fodidas e mal pagas! :P
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De Pequeno caso sério a 26.09.2016 às 23:21

Mesmo!
(nem imaginas quanto)
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De Maria Araújo a 27.09.2016 às 00:04


O facto de ele ligar-te a contar o seu erro é muito bom sinal.
Sinal que tem na mãe a mulher que lhe dá o apoio e a confiança que precisa.
E quem dera a muitos professores ter na sua frente alunos com regras e educados, que muito carece nas escolas portuguesas.
Parabéns para ele e para ti, mãe.


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De Quarentona a 27.09.2016 às 07:35

Obrigada, Maria :))))
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De marrocoseodestino a 29.09.2016 às 14:13

Ai mulher quantas vezes eu dizia que não fazia ou dizia isto ou aquilo que a minha mãe costumava fazer?
Fazemos sempre.
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De Quarentona a 30.09.2016 às 01:14

É verdade e é incrível também, às vezes, apercebo-me a tempo e luto contra isso, outras vezes só dou conta quando está feito e fico com um melão de todo tamanho.

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